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08/03/2010
Artigo - Erros na educação
A julgar pela maneira como as coisas caminham, os que reclamam da qualidade do ensino ainda terão pela frente uma grande batalha. O Ministério da Educação, parece, perdeu inteiramente o controle da educação no país. Conseguiu jogar por terra o que era uma boa ideia, mas que, como veio do governo "tucano", tinha que ser mudada. Deram errado as mudanças implementadas. Tanto que sobram vagas nas universidades federais não pelo excesso de oferta, mas pelo desinteresse dos alunos que participaram do Sistema de Seleção Unificada (SiSu) através das provas do Enem. Muita gente que passou não foi fazer matrícula. O ministério arrumou uma explicação para o fato de 45% das vagas não terem sido preenchidas: falta de responsabilidade social dos alunos que não se matricularam. Irresponsabilidade dos alunos ou do Ministério, o fato é que na Faculdade de Educação Física de Santos, em São Paulo, as aulas foram iniciadas com 12 alunos apenas. Na Universidade Federal do Mato Grosso, das 265 vagas oferecidas no curso de enfermagem, 207 não foram preenchidas. O MEC garante que vai resolver o problema fazendo a terceira chamada. Quem passar em frente às universidades corre o risco de ser matriculado. O deputado e presidenciável Ciro Gomes tem toda razão ao criticar a educação no Brasil, mesmo com todos os avanços do governo Lula.
01/03/2010
Artigo - Atestado de competência
O governador Aécio Neves inaugura, na próxima quinta-feira, 4 de março – data do centenário de nascimento de seu avô, Tancredo Neves, a Cidade Administrativa Tancredo Neves, nova sede do governo de Minas. A mudança do governo de Minas para a região Norte da cidade, depois de mais de um século na Praça da Liberdade, foi um ato de ousadia do governador, com forte impacto na urbanização da cidade e de várias cidades da região metropolitana. Junto com o aeroporto Internacional de Confins, a Cidade Administrativa será indutora do desenvolvimento do vetor Norte da cidade, beneficiando milhares de moradores. A Cidade Administrativa representa, ainda, uma mudança na concepção de administração pública, sendo fundamental para a modernização da gestão estadual. Evidentemente que, mesmo representando vantagens indiscutíveis, uma mudança desta ordem gera alguns problemas e descontentamentos. Várias sugestões já foram encaminhadas ao governo visando ajustes e há até mesmo uma proposta de concessão de reajuste ao funcionalismo, corrigindo eventuais perdas, como forma de incentivo. Esse, aliás, foi o comportamento de JK ao promover a transferência da capital federal para o país. O fato é que, mesmo com alguns ajustes a serem feitos e a necessidade de solução de um grande problema, o transporte de qualidade para atender a servidores e público em geral, a Cidade Administrativa Tancredo Neves já é uma realidade. Uma obra grandiosa, nascida da genialidade de Oscar Niemeyer, que coloca Minas Gerais na vanguarda da modernidade. A nova sede, que já é atração turística, pela sua beleza e funcionalidade, é ainda um atestado da competência da engenharia nacional e dos consórcios formados pelas empresas Andrade Gutierrez, Barbosa Mello, Camargo Correia, OAS, Via Engenharia, OAS, Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Santa Bárbara, que conseguiram cumprir rigorosamente o cronograma estabelecido para as obras
22/02/2010
Artigo - CONTRAPONTO A DILMA
Passado o Carnaval, a sucessão presidencial começa a ganhar contornos mais nítidos. Considerando o quadro atual de candidatos a grande novidade no processo poderá vir do DEM. Da legenda deverá sair a vice na chapa encabeçada pelos “tucanos”, especialmente se o candidato for mesmo José Serra. Psicóloga por formação e produtora rural por circunstâncias familiares e vocação, a senadora Kátia Abreu, eleita pelo Tocantins, dá sinais de que se colocará como alternativa em seu partido, ocupando um espaço que as velhas lideranças da legenda vão deixando vago. Presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura, que congrega 27 federações estaduais e mais de 2.300 sindicatos rurais, a senadora, nas últimas semanas, iniciou um trabalho de marketing pessoal. É ela a estrela de comerciais de rádio, com anúncio de uma campanha nacional voltada para a saúde da mulher trabalhadora rural que, por óbvio, não é o público preferencial da CNA. A campanha é, então, para construir a imagem de preocupação social da entidade e de sua presidente. Para o público interno, além das posições firmes em defesa do agronegócio, Kátia Abreu tem programas como o Observatório da Insegurança Jurídica no Campo. Daqui para a frente, é bom acompanhar de perto os passos da senadora que, dentro da rotulação política, se enquadra como de centro direita. Um perfeito contraponto a Dilma Rousseff. É bom lembrar que Serra, quando candidato a presidente, teve Rita Camata como companheira de chapa.
15/02/2010
Artigo - VOZ SOLITÁRIA
Até aqui, Fernando Henrique tem sido uma voz solitária defendendo o seu próprio governo das críticas que lhe fazem Lula e seus seguidores. A luta solitária do ex-presidente não é das mais fáceis. Da glória no primeiro mandato, FHC chegou ao fundo do poço em termos de popularidade, muito em função das medidas que foi obrigado a tomar para corrigir a economia brasileira.
Lula, ao contrário, vai chegando ao fim do mandato com uma popularidade jamais atingida por outro presidente, resultado de acertos na economia e de inegáveis avanços sociais. Claro que seu governo é passível de críticas, mas os acertos são maiores e reconhecidos pelos mais pobres e pelos mais abastados.
Enquanto Fernando Henrique se defende, Serra, o virtual candidato de seu partido, se mantém em silêncio. Evita criticar Lula com receio de perder votos. O ex-presidente trava uma luta solitária. Na intimidade, dizem que manifesta dor de cotovelo de ver o sucesso do torneiro mecânico que alcançou um status internacional que ele, intelectual reconhecido, sempre buscou.
O ex-presidente sabe que a batalha que iniciou será longa e espinhosa.
Daqui para frente, e até o final da campanha eleitoral, ouvirá críticas ao seu governo e uma inevitável comparação com o governo Lula. Sabe também que seus companheiros tucanos se manterão calados, evitando fazer a sua defesa, por temerem as urnas.
Nesse momento, com certeza, Fernando Henrique deve se lamentar de ter sido a primeira e mais qualificada voz oposicionista a se opor à proposta de impeachment de Lula na crise do mensalão, em 2005.
08/02/2010
Artigo - O peso das pesquisas
O jogo das pesquisas eleitorais já está em plena ebulição e elas não deixam de ser um indicador para os candidatos, principalmente as que são feitas para análise dos fatos e não para divulgação. As últimas pesquisas divulgadas apontam para um quase empate técnico entre as candidaturas da ministra Dilma Rousseff, do PT, e do governador de São Paulo, José Serra, que uma ala do PSDB intitula de candidato, mas que mesmo extraoficialmente, até por culpa dele, ainda não é.
No entanto, há pesquisas para consumo interno mostrando que a ministra Dilma ainda tem espaço e potencial para crescer muito. Elas servem de alerta à cúpula do PSDB, pois sinalizam que o governador Aécio Neves é o tucano que teria mais condições de enfrentar a candidata do presidente Lula, com reais chances de chegar à vitória. A grande preocupação do PSDB – de sua parte mais responsável – é resolver esta questão logo após o Carnaval, pois se for esperar até abril, como quer o governador José Serra – que tem uma reeleição garantida – pode ser muito tarde. É que quando vierem procurar o governador de Minas, talvez ele não aceite mais ser o candidato do PSDB, e com toda razão. O ex-presidente Itamar Franco, que já colocou o pé na estrada com sua candidatura ao Senado pelo PPS, não se cansa de dizer que Aécio é o grande candidato para 2010 e que o PSDB está abrindo mão da possibilidade de voltar ao Palácio do Planalto.
01/02/2010
Artigo - Importância do vice
Vice presidência da República nunca foi um cargo a que se desse importância. Antigamente até se dizia que a única função do vice era esperar o afastamento do titular, por qualquer motivo, para ele assumir. Depois do saudoso Tancredo Neves, que morreu sem assumir a Presidência, abrindo então o espaço para José Sarney, seu vice, que assumiu e cumpriu todo o mandato. De Itamar Franco que foi presidente por dois anos, após o impeachment de Collor, o vice ganhou uma nova dimensão. A importância política do cargo veio mesmo com o mineiro José Alencar. Ele foi fundamental na eleição de Lula. Não que tivesse voto para isto. Mas foi ele que deu o aval a Lula na interlocução com as classes produtoras e com a chamada elite financeira nacional e internacional. Lula se superou, ganhou respeito e credibilidade, mas Alencar permaneceu vice por sua lealdade. Mas é bom lembrar que há situações inversas. Um vice, em Minas, já deixou de assumir o governo por ter perdido a confiança do titular. Foram então estas três situações, duas envolvendo políticos mineiros, que realçaram a importância do vice, muito embora ninguém vote em vice, como ocorria antes do golpe militar de 1964. Jango foi nosso último vice escolhido por voto direto. Enfim, falo tudo isto para reafirmar que não se escolhe vice pelos votos que ele possa ter. Vice não precisa ter voto. É fundamental, porém, que não tire.
25/01/2010
Artigo - Falha presidencial
O III Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula criou por decreto no final de dezembro, é daquelas iniciativas que têm tudo para não dar certo. E, com certeza, não darão. No último ano de seu governo, depois de passar praticamente 85 meses sem tocar no assunto, o presidente apresenta à discussão um programa com mais de setenta páginas, que contempla assuntos de toda ordem tais como horta comunitária, aborto, anistia política, entre outros. Há quem defenda o decreto presidencial argumentando que ele oferece ao país a oportunidade de implantar, efetivamente, uma política de direitos humanos capaz de reconciliá-lo com seu passado e preparar o seu futuro em bases sólidas para um crescimento com mais igualdade entre os cidadãos.
É, pode ser. Mas se é assim, por que apresentar a proposta só agora, nos últimos meses de governo, quando a campanha sucessória já começou? Dirão alguns, em defesa do programa que ele foi discutido com audiências públicas que reuniram perto de 14 mil pessoas pelo país. Até pela mobilização mínima que conseguiram, as audiências não legitimam uma proposta desta envergadura.
Foi mal o presidente Lula ao tentar agradar à esquerda de seu partido, assinando um decreto que cria insegurança jurídica, ao estabelecer novos níveis de poder para decidir sobre questões eminentemente técnicas, como a reintegração de posse de terra invadida. Errou tão feio, e sabe disso, que só colocou o assunto agora, quando já está de saída.
18/01/2010
Artigo - Quem fala muito...
Ensinavam as velhas raposas mineiras, que em política não se deve cometer ato inútil. Para os menos entendidos das práticas políticas mineiras, um esclarecedor exemplo do que venha a ser “ato inútil” que não se deve cometer, é a entrevista do senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, à revista Veja. Nela o senador pernambucano dá um verdadeiro show de como não se deve fazer política, de acordo com a cartilha mineira, ao dizer que se os “tucanos” vencerem as eleições vão mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Exatamente tudo aquilo que o governo Lula tem de mais “tucano”, o senador só agradou o adversário. Reforçou o que os petistas vêm tentando tornar verdade junto ao povo: se a oposição vencer, vai mudar tudo o que está dando certo. Inclusive o Bolsa Família, apesar do senador, na entrevista, ter dito, que este é um programa que, vencendo Serra, será mantido. Guerra disse ainda que o PSDB é mais esquerda do que o PT, sem esclarecer bem o que vem a ser isto. Para complicar, criou o suspense afirmando que a forma pela qual as mudanças serão implementadas serão debatidas no momento certo. Se ainda não é o momento de discutir, também não é o de propor. Afirmativas assim, sem clareza, sem pé nem cabeça, não contribuem em nada com o esforço da oposição em se mostrar mais madura, mais preparada para dirigir o país. Ao contrário, podem é despertar insegurança em todos os níveis da sociedade. Ainda mais quando ditas por quem terá a responsabilidade de comandar a campanha do partido. O ato inútil de Sérgio Guerra escancara outra questão: está falando tempero mineiro neste cozido que a “tucanada” está querendo oferecer em outubro.
11/01/2010
Artigo - Um debate a realizar
A dor das tragédias de fim de ano, nas cidades e nas estradas, mostrou que estamos encaminhando de forma equivocada a discussão sobre sucessão presidencial. O governo, por se considerar melhor eleitoralmente, insiste em polemizar sobre o passado, levando o debate sobre quem fez mais, se Fernando Henrique ou Lula. A oposição, que não se interessa por este tipo de debate, prefere o silêncio e não coloca uma pauta de discussão. Nossos mortos e feridos nas encostas, nas estradas, nas ruas alagadas e nas pontes que caem nos indicam que este não é o caminho.
A discussão tem que ser sobre propostas do que fazer, não um debate estéril sobre o passado.
Este debate é falso, pois coloca em comparação momentos diferentes, interno e externo, de nossa economia. É preciso, sem esquecer o passado, pensar no futuro. Estamos entre as dez maiores economias do mundo, mas ocupamos a 38ª posição entre as nações com melhor qualidade de vida. Atrás de Uruguai, Chile e Argentina, na América Latina. Se queremos mais qualidade de vida no futuro, este é o momento de conhecer o que pensam os candidatos sobre ocupação do solo urbano, investimentos em infraestrutura, qualidade da educação, da saúde, liberdade de expressão e informação e muito mais. É preciso pensar no que será feito. Nossos mortos de fim de ano servem como alerta sobre o que não foi feito.
28/12/2009
Artigo - Pode custar caro a Serra
Os dias vão passando e nada do governador José Serra assumir a condição de candidato à presidência da República. Isto pode lhe custar caro. Quando, num gesto de competência política e desprendimento, decidiu se retirar do processo sucessório, o governador Aécio Neves abriu espaço para seu colega paulista se apresentar como candidato e iniciar, desde já, os entendimentos para a formação de uma grande aliança partidária, capaz de enfrentar a forte máquina federal que vai a pleno vapor trabalhando em favor de Dilma Rousseff. A desistência da candidatura, a princípio vista como um golpe de mestre para pressionar José Serra foi, na verdade, um ato fundamental para o PSDB. Aécio, ainda muito novo, foi expectador privilegiado, como secretário particular, da movimentação de seu avô, Tancredo, na costura das alianças visando a disputa no Colégio Eleitoral. Com tempo e competência para articular (competência que Aécio também já demonstrou), Tancredo buscou apoio em partidos de todas as matizes. Curiosamente, ficou sem o apoio do PT, que se omitiu no processo, mas conseguiu implodir o PDS de Maluf, assegurando tranquila vitória no Colégio Eleitoral. Pela experiência, Aécio sabe que uma grande aliança não se constrói de um dia para o outro. Ainda mais na situação atual, em que o governo tem alto índice de aprovação popular. Será preciso reverter a tendência da maioria dos partidos se aliar à candidata de Lula. Esta reversão é possível, mas demanda tempo e muita conversa.
21/12/2009
Artigo - Panetone e ameaças
Nunca, em tempo algum, o povo brasileiro assistiu pela televisão e viu fotos em jornais de um político na sala de um interlocutor, completamente estatelado numa poltrona, para receber pacotes de dinheiro totalizando 50 mil reais. Só mesmo a certeza da impunidade para tamanha ousadia. Para garantir esta impunidade, o ainda governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, negociou com os parlamentares para que a Câmara Distrital de Brasília entrasse em recesso e só volte no início de janeiro. Neste período, Arruda vai tentar ─ com seus advogados ─ produzir peças de defesa para defender o indefensável. A verdade é que, fosse num outro país, provavelmente Arruda não comeria, como governador, "panetones" no Natal. Mas ele vai comer e provavelmente concluirá seu mandato se não houver um ato externo. Arruda já chamou os deputados de Brasília, individualmente, em sua casa, para dizer que não é bom pensarem em impeachment, pois se isso acontecer ele colocará a “boca no trombone” e todos cairão junto com ele. Desta forma, o impeachment torna-se impossível, pois a maioria tem “rabo preso” com o prepotente governador do Distrito Federal. As festas de fim de ano estão aí, no início do ano ninguém quer nada, vem o Carnaval e Arruda estará firme no governo do Distrito Federal. E o Brasil, minha gente, que não tem o menor interesse de acabar com a impunidade, continuará com Arruda no governo do Distrito Federal. E viva a impunidade...
14/12/2009
Artigo - Surpresas para o PSBD
Na semana que passou, os mais argutos analistas políticos de Minas ficaram com o sentimento de que o governador Aécio Neves estaria jogando a toalha, abandonando seu projeto de candidatura à Presidência da República e compondo-se – não para ser vice – com o governador de São Paulo, José Serra, que seria o candidato do PSDB à sucessão de Lula. A verdade é que Aécio, como dizem alguns dos seus mais íntimos colaboradores, não fez o dever de casa de trabalhar mais a cúpula do PSDB, toda comprometida com Serra pelo poderio econômico paulista e por acharem que as pesquisas que mostram Serra na frente vão permanecer. Os tucanos sabem que Serra dificilmente conseguirá agregar apoios, pois a maioria dos partidos acredita que ele perde para a candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff. Já Aécio arregimentaria apoios até de partidos que hoje são da base do governo federal. Na intimidade, Aécio tem revelado que a sua decisão de disputar uma cadeira no Senado e ser um dos mais votados do Brasil será anunciada até o dia 10 de janeiro. A conversa que ele e Serra teriam no fim de semana no Piauí foi cancelada pois, estrategicamente, Serra viajou para a Dinamarca.
Candidato ao Senado, Aécio abraça a candidatura de Anastasia ao governo de Minas para dar continuidade ao trabalho desenvolvido em Minas, inclusive de ter restaurado a autoestima dos mineiros. E muita gente – para não dizer a maioria – vai votar na Dilma porque definitivamente não vota em Serra. É o espírito de Minas. Em tempo: há quem garanta que os tucanos virão buscar Aécio pois Serra acaba desistindo...
07/12/2009
Artigo - O país da impunidade
Estamos perdendo todos os padrões de comportamento. O brasileiro já não se assusta mais com desvios de comportamento, com a falta de ética. Nos acostumamos a aceitar passivamente tudo de errado que fazem nossos políticos, nossos empresários, nossos ídolos. Quase podemos afirmar que somos um país sem ética. Tomemos, apenas como exemplo, dois fatos que ocuparam espaço nos meios de comunicação nesta semana. A começar pelo menos importante, embora seja o futebol uma paixão nacional. Discute-se abertamente, e com campanhas favoráveis de torcida, se um time deve ou não entregar o jogo ao adversário do final de semana para prejudicar o adversário local. Ou seja, aceita-se como normal uma fraude, uma venda de resultado. Considera-se certo a quebra da ética, desde que seja pelo que chamam de uma boa causa. O outro caso é o escândalo do governo Arruda, tratado com complacência por alguns, com alegria pelos partidos adversários, que veem no episódio o surgimento de mais um companheiro de lama e com desprezo ou ironia por quem deveria estar indignado, o cidadão. E isto tudo vai continuar e aumentar enquanto o Brasil viver como o país da impunidade.
Na verdade ninguém quer acabar com a impunidade, pois, se
quisesse, já tinha dado um basta. E o povo continua quieto, sem tomar nenhuma atitude.
30/11/2009
Artigo - Para Camilo Teixeira
Esta é a minha última homenagem à figura impar de Camilo Teixeira da Costa, jornalista/empresário que marcou época. Homem de fibra e de raro talento administrativo, deixou sua marca nos Diários Associados, ao iniciar o processo de modificação profissional do condomínio criado pelo gênio de Assis Chateaubriand.
Camilão, como era chamado pelos mais íntimos, era uma figura humana rara e com ele convivi desde que, em 1978, convidou para editar um caderno no Estado de Minas e assinar uma coluna diária no extinto Diário da Tarde.
Tive, portanto, o privilégio de conviver diretamente com ele, em plena fase de sua efervescência empreendedora, quando o “Estado de Minas” reinava absoluto no estado. Nesta convivência aprendi muito.
Há quinze anos aproximadamente, Camilão, vitimado por uma doença, se afastou de todas as suas atividades, recolhendo-se ao lado de sua querida Solanda, que abdicou de tudo para acompanhá-lo de perto. O guerreiro recolheu-se à sua privacidade, nos oferecendo outra lição de vida.
Ao longo de minha vivência com Camilo Teixeira da Costa aprendi muito. Dele guardo a lembrança de um homem incansável, sintonizado com o seu tempo, que soube ser severo nos momentos difíceis, mas amigo e companheiro. Um empresário de valor com uma alma de boêmio sensível e apaixonado pela arte. Um homem que soube impulsionar dezenas de carreiras, oferecendo oportunidade e estimulando os talentos que identificava.
Sei que, enquanto pôde, ele acompanhou com interesse e entusiasmo deste seu pupilo. Sei que está feliz com o trabalho que estamos desenvolvendo na imprensa mineira que tem, sem dúvida, muito de seus ensinamentos.
Meu querido chefe, descanse em paz. À toda sua família minha solidariedade.
23/11/2009
Artigo - Rumo à definição
A situação dentro do PSDB está cada dia mais tensa, com a falta de decisão das chamadas cabeças coroadas dos tucanos, a começar do ex-presidente FHC. No entanto, entre os tucanos de todos os estados, fora os paulistas, claro, a convicção é de que o governador de Minas é o melhor nome para disputar a Presidência da República com a ministra Dilma Rousseff.
Os tucanos mais responsáveis não têm dúvida de que o candidato para fazer frente à Dilma é Aécio Neves, pois todas as pesquisas, mesmo as mais remotas, já apontavam que a candidata de Lula vence o paulista José Serra. É por isso que Serra está jogando, tentando empurrar uma decisão só para março, buscando mais tempo para viabilizar seu nome. Mas os tucanos já têm a opinião formada de que o candidato tem que ser o governador de Minas.
E para que ele não se furte a candidatar-se, a decisão vai acontecer até o final de dezembro. Caso isto não aconteça, Aécio já anunciou que vai disputar o Senado, decisão que assustou a “companheirada” tucana. Portanto, não há mais o que se esperar e acredita-se que já nesta semana, o PSDB anuncie que o candidato do partido é Aécio Neves, com chances de até ganhar da Dilma. Em tempo: na semana passada o presidenciável Ciro Gomes deu um nó na cabeça de muita gente, ao dizer que se o PSDB indicar Aécio ele não será candidato a presidente.
16/11/2009
Artigo - Caminhos tortuosos
O apagão elétrico da terça-feira acabou lançando luz sobre a fragilidade, até aqui, da aliança PT/PMDB. As acusações mútuas de culpa pelo episódio, iniciadas pelos petistas, na tentativa de isolar Dilma Rousseff, transferindo responsabilidades a Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, tornam pública e reafirmam o distanciamento entre os dois partidos, sustentadas pelas disputas regionais. Há quem aposte que, no momento certo, Lula vai agir e impor a sua vontade, enquadrando a companheirada e obrigando a cúpula peemedebista a fazer o mesmo com os seus. Nos estados, o presidente Lula pode impor acordos que apoiem a candidatura da ministra Dilma. Até mesmo com o PT deixando de ser cabeça-de-chapa onde o PMDB estiver em melhor situação. É, pode ser! O ex-governador Hélio Garcia, no seu estilo roceiro, dizia que discussão de acordo político é como arrumar caminhão de porco. Quando se coloca no caminhão, os animais gritam, brigam, mas é só o veículo começar a andar para que cada um encontre o seu lugar e siga a viagem quieto. O problema é saber o que será distribuído pelo dono do caminhão, o presidente Lula, para que todos se acomodem e sigam tranquilos. Vai depender, e muito, das condições da estrada. Se ela estiver boa, pavimentada, tudo bem. Caso contrário, nos primeiros buracos, a brigalhada volta e muitos, com certeza, vão pular do caminhão.
09/11/2009
Artigo - Lula é "gostável"
O Saudoso senador Antônio Carlos Magalães, que durante muitos anos não apenas comandou, mas mandou na política baiana e era temido por seus pares no Congresso Nacional, se encantou com Lula após receber uma visita do presidente, quando estava internado em um hospital de SP. Lula bateu a porta do quarto e entrou, emocionando o senador, até então seu adversário ferrenho. Voltando a Brasília, ACM procurou o então ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, dizendo que gostaria de ter uma audiência com o presidente. Imediantamente Walfrido falou com Lula, transmitindo o pedido. Horas depois o secretário particular do presidente ligou para o senador confirmando a audiência para a semana seguinte. ACM chegou ao Planalto sendo recebido por Walfrido que avisou que o acompanharia até o gabinete da Presidência. O senador baiano pediu então que o minisistro fosse testemunha da conversa. Mas ele ponderou que melhor seria sair para que ficassem à vontade para conversar. Até porque, avisou, certamente o presidente faria um sinal para que ele se retirasse da sala. Não foi o que aconteceu. Walfrido permaneceu no gabinete durante todo o tempo da conversa, que durou mais de 1h. ACM disse a Lula que apoiaria todos os projetos do governo e, mais ainda, que traria o apoio de toda a bancada que liderava. Na saída, ACM disse a Lula: "Você é um sujeito gostável e eu já deveria ter me aproximado de você antes. Perdi muito tempo até agora". Quatro meses depois ACM faleceu.
18/10/2009
Artigo - Em cima do muro
O governador José Serra joga em duas frentes. Mira a sucessão presidencial, mas, por garantia, alimenta a possibilidade de disputar a re-eleição ao governo de São Paulo. O jogo já foi percebido por Aécio Neves e vai ficando mais claro para os paulistas. Serra tem usado os horários eleitorais gratuitos do PSDB no estado para uma intensa publicidade sobre as ações de seu governo, numa típica preparação para uma campanha de re-eleição que, aliás, considera certa.
Enquanto isso, procura retardar ao máximo uma decisão de seu partido quanto à sucessão nacional. Ainda liderando as pesquisas, Serra quer avaliar a evolução da candidatura de Dilma Rousseff. Se sentir que ela ameaça sua liderança, desiste de ser presidente e fica em São Paulo. Serra só disputa a Presidência se tiver certeza de que ganha. Não correrá risco de jeito nenhum. Enquanto isto, trava o seu partido.
Há muita gente no PSDB convencida de que Aécio é o melhor candidato para enfrentar Dilma. Tem o que mostrar no campo administrativo levando, porém, vantagem na capacidade de articulação política e de agregar apoios. É esta capacidade, aliás, que começa a despertar setores do seu partido e que preocupa o presidente Lula. Enquanto Serra, por interesse pessoal, procura adiar a decisão dos “tucanos”, Marina e Ciro vão ocupando espaços, colecionando votos e Dilma corre em pista livre. Quando os “tucanos” descerem do muro, pode ser tarde.
12/10/2009
Artigo - Sinais das águas
A violenta chuva que caiu em Belo Horizonte na semana passada serviu para que, mais uma vez, o prefeito Marcio Lacerda visse as fragilidades da cidade e as providências que precisa tomar para minorar o sofrimento do povo em enchentes que possam acontecer. O rio Arrudas teve um início de solução a partir do prefeito Maurício Campos, prosseguindo com o também ex-prefeito Hélio Garcia, depois governador de Minas. De lá para cá não se fez mais nada no Arrudas para evitar catástrofes maiores. Estes episódios demonstram que a vontade política é primordial para que se resolvam os problemas.
O prefeito Marcio Lacerda, que da iniciativa privada à administração pública tem se revelado atento, sabe que vai ter que agir rapidamente e buscar os recursos. E para isto também é preciso vontade política. Prova maior disso é o governador Aécio Neves que assumiu o estado em situação lamentável e mudou o quadro. Alguns exemplos: colocou o pagamento do funcionalismo público em dia, anunciou há dois anos a construção da Cidade Administrativa, que vai inaugurar em dezembro e, juntamente com a prefeitura, está concluindo a duplicação da avenida Antônio Carlos, implantada pelo saudoso estadista JK, obra que, à época, foi considerada uma loucura. Uma possibilidade: o prefeito Marcio Lacerda – com vontade política – pode muito bem terminar as obras do metrô que vão se arrastando há mais de vinte anos.
06/10/2009
Artigo - MUITA ÁGUA VAI ROLAR
Como diz um jovem e competente político: não adianta ansiedade, pois a sucessão presidencial e os seus nomes, até mesmo do PT, só serão definidos em março de 2010. Enquanto isso, as especulações circulam à vontade. Como diz este jovem político, a ansiedade é dos políticos e da imprensa, cada um fazendo a sua previsão, expressando a sua vontade e mesmo palpitando. A recente cartada do deputado Ciro Gomes transferindo o seu domicilio eleitoral para São Paulo serviu para confundir mais. Ninguém pode afirmar que ele vá candidatar-se ao governo de São Paulo ou à Presidência da República, mas uma coisa é certa: ele vai atazanar a vida do governador de São Paulo, José Serra. Ciro Gomes afirma que, se Aécio se candidatar à Presidência, vai apoiá-lo. Assessores mais íntimos do governador de Minas revelam – com tristeza – que nos últimos dias notaram um certo desânimo de Aécio que, no momento, está no exterior. O presidente Lula ainda joga suas fichas na ministra Dilma, mas acredita-se que ele já pensa num plano B se a sua preferida não decolar. E o paulista-cearense Ciro Gomes joga nesta possibilidade. Dentro do PMDB nacional, a novidade é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se filiou ao partido e, se deixar o governo em março, poderá ser o vice de Dilma, para desgosto do presidente da Câmara Federal e presidente licenciado do partido, deputado Michel Temer. Enfim, muita coisa pode mudar...
29/09/2009
Artigo - SUCESSÃO EM MINAS
A postura do ministro Hélio Costa, em relação à sucessão estadual, tem sido madura, sem imposições e radicalismos, apesar de liderar todas as pesquisas eleitorais. No Triângulo, uma das regiões mais populosas do estado, ele chega a registrar mais de 60% de preferência do eleitorado. Dentro do PMDB, no entanto, há uma disputa que poderá causar dificuldades na disputa sucessória. Hélio Costa tem procurado a conciliação interna, mas já avisou aos peemedebistas que só disputará o governo do estado se tiver o apoio de um dos palácios: do Planalto ou da Liberdade. Neste aspecto tem posição tranquila. Lula tem apreço por ele e sabe que uma composição com Hélio na cabeça e um petista como vice é o melhor para a ministra Dilma em Minas. Já Aécio, se candidato a presidente, vai buscar composição com o PMDB e aí teria, em Minas, o palanque do líder das pesquisas.
Outro que poderá ser candidato é o presidente da Assembleia, deputado Alberto Pinto Coelho. O PP fala em candidatura própria e sabe que Alberto tem uma grande capacidade de articulação e de agregar apoios. Outro nome forte que Aécio Neves tem é o do vice, Antonio Anastasia que, mineiramente, vai consolidando seu nome, realizando viagens por todo o interior onde, reconhecem até seus adversários, tem conseguido simpatia e apoios declarados.
22/09/2009
Artigo - 2010: novos contornos
A sucessão para o Palácio da Liberdade começa a ter novos contornos com o quadro que vem pela frente. Mas, pelo visto, será polarizada entre o candidato apoiado pelo governador Aécio e outro pelo PT e o presidente Lula. O vice-governador Antonio Augusto Anastasia, que tem seu nome cotado para ser o candidato do PSDB, só o será se Aécio for candidato ao Senado. Sendo candidato a presidente – que é o certo – Aécio terá um partido coligado. E se não for o PMDB pode ser o PP, onde surge o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Alberto Pinto Coelho, para disputar a sucessão como cabeça-de-chapa e com o apoio dos partidos da base de apoio ao governo. Do lado do PT, dois nomes vem despontando há algum tempo: do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito Fernando Pimentel, que disputam também o apoio do presidente Lula. No entanto, nos laboratórios do Palácio do Planalto há quem aposte numa chapa liderada pelo ministro Hélio Costa, do PMDB, com o vice do PT, exatamente para também fortalecer a candidatura da ministra Dilma Rousseff em Minas. Evidente que tudo é conversa, pois de outro lado fala-se que o PSDB poderia compor em Minas com o PMDB e o candidato então seria o ministro Hélio Costa.
As especulações, articulações vão seguindo até o final do ano quando haverão as definições.
Como em política tudo é possível...
14/09/2009
Artigo - O PIOR ESTÁ PASSANDO
Por mais que se falou em crise em todo mundo, o momento pior está passando. Na Europa, onde alguns setores foram atingidos, os sinais de recuperação são visíveis. Na semana que passou, o presidente da Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, que no ano passado foi um dos arautos da grave situação, falou que a crise no setor automobilístico já não é mais uma realidade e os carros estão sendo vendidos em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, dos países que menos sofreram – e não há como creditar à política econômica conduzida pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, das escolhas mais acertadas do presidente Lula – o setor automobilístico está de vento em popa. Em Paris, a executiva comercial do Raphael Hotel, Delphine Durand, conversando com brasileiros no charmoso e elegante hotel da avenida Kleber, argumentava que na Europa a classe média não sofreu tanto como se chegou a alardear nos quatro cantos. Segundo Delphine, quem sofreu foram as grandes corporações, mas o turismo continuou movimentando a economia. A propósito, hoje os brasileiros respondem por 10% da ocupação do Raphael Hotel. Em Lisboa, o empresário Joaquim Henriques – que tem uma frota de automóveis e serve a muitos brasileiros – avalia que a crise afetou mesmo a alguns mais ricos, pois a classe média passou ilesa e o seu movimento não caiu em nenhum momento.
04/09/2009
Artigo - SOBRE NOSSAS LEIS
A legislação ambiental tanto a nível estadual quanto federal mais parece uma colcha de retalhos. Além de não levar em conta a realidade atual, partindo-se quase de um pressuposto de que a ocupação do Brasil começa hoje, e assim deixando de tratar das realidades consolidadas e de caminhos para manutenção dos remanescentes, este emaranhado de normas não apresenta tratamentos virtuosos a serem dispensados aos empreendimentos que aplicam as boas práticas. As normas conflitam entre si, o que uma autoriza, a outra nega, gerando imensa insegurança jurídica, e ainda entraves burocráticos e morosidade que atravancam o desenvolvimento sem nenhum ganho à sustentabilidade. É impossível, por exemplo, atender ao mesmo tempo a todas as normas ambientais e ao novo decreto que dobra a necessidade de produção agrícola para que se considere uma propriedade produtiva. Além disto, tem-se assistido ao exercício de poder Legislativo praticado por órgãos que não estão investidos deste poder. São portarias, instruções normativas e decretos que inovam no mundo jurídico, algo que só as leis podem fazer.
Há um forte movimento de diversos segmentos da sociedade cobrando dos parlamentos, tanto em Minas como em Brasília, imediato estudo, consolidação, elaboração e aprovação de um código de produção sustentável, que trate do tema de forma abrangente, coerente e adequada à realidade posta.
O desenvolvimento sustentado só tem a ganhar com o posicionamento técnico, positivo e viável do tema.
29/08/2009
Artigo - A CRISE CONTINUA
Ninguém tem dúvida de que o presidente Lula tornou-se comandante maior do lulismo e pouco se importa com o petismo. Hoje os petistas históricos estão até com vergonha de dizer que são governo, após os recentes episódios que envolveram o acordo com o PMDB para manter o senador José Sarney na presidência do Senado. O senador Flávio Arns, que já foi tucano, chegou a dizer que “o PT jogou a ética no lixo e vai ter de achar outra bandeira.” O senador Aluízio Mercadante se rendeu aos “encantos” do companheiro Lula e manteve-se na liderança do PT, no Senado, depois de anunciar que estava largando o cargo. Mesmo constrangido, continuou onde estava. Mercadante, para muitos, era um parlamentar preparado e sempre se manteve como um dos mais sérios do antigo PT. Mas agora entrou para a lista “dos iguais”, com uma re-eleição perigando, principalmente depois que Marta Suplicy anunciou que é candidata ao Senado. A crise permanece. O Senado continua o mesmo. Para o senador Sérgio Guerra, em entrevista concedida à revista Viver Brasil que circula a partir da próxima sexta-feira, o problema não é do Senado apenas, mas de todos os parlamentos – municipal, estadual e federal – que só mudarão com a reforma política.
O presidente do PSDB, na entrevista, diz ainda apostar que o presidente Lula não fará de Dilma Rousseff a sua sucessora.
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