Blog do PCO - Paulo César de Oliveira Belo Horizonte, 01/08/2010
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26 00:00:00/07/2010

Artigo - Faltam propostas

As eleições estão aí, e não se vê envolvimento popular com a disputa. Fora a militância, paga ou não, ninguém fala em eleições ou candidaturas. Sobra desinteresse e falta conteúdo para uma conversa política. Já que não existe o debate ideológico, pois todos ­ partidos e políticos ­ apresentam-se muito iguais, que houvesse pelo menos propostas de governo que entusiasmassem, provocassem polêmica, tornassem diferentes os que estão cada dia mais iguais. Na sucessão presidencial, esperava-se mais de Marina Silva. Ela poderia ser o fato novo, mesmo que incapaz de vencer, com contribuição efetiva para o debate político, por meio de propostas novas. Nada, ela tem se limitado a agir como gandula em campo de futebol, recolhendo as bolas fora dos adversários. E tanto Serra quanto Dilma têm abusado da bola fora.
Dilma não apresenta qualquer novidade. Apenas tenta colar sua imagem à de Lula e se propõe a seguir a obra do mestre com algumas mudanças, que não diz quais. Serra, pior, coloca-se como oposição, mas sem falar em mudanças, apenas em fazer mais. Fazer o quê? Em que setor? Nas disputas estaduais, não é diferente. Em Minas, Anastasia tenta consolidar a imagem de continuador da obra de Aécio, sem dizer claramente se vai e onde vai melhorar. Hélio Costa tem feito discurso para o funcionalismo, prometendo melhoria salarial, sem falar de onde vai tirar dinheiro. Para o restante da população, falta discurso. Na falta de propostas, todos se acusam. E depois dizem que o brasileiro é que não se interessa por política. Como se ela existisse.




19 00:00:00/07/2010

Artigo - Copa e Olimpíadas

Agora é conosco. Passada a Copa, o Brasil passa a pensar e agir focado na
Copa de 2014. Sessenta e quatro anos depois do fatídico 1950, somos
novamente sede do Mundial de Futebol, um negócio, muito mais que um torneio
esportivo, que movimenta bilhões de dólares no mundo. Dois anos depois,
serão as Olimpíadas pela primeira vez, desde que surgiu na Grécia Antiga, a
se realizar aqui. São muitas razões para mexer com o orgulho nacional, com o
nosso patriotismo de uniforme. São também muitos motivos para que a
sociedade esteja atenta e vigilante. É enquanto a nação embala seu orgulho
que o dinheiro corre fácil pelo ralo. É da pátria distraída que se
aproveitam os mesmos de sempre. Os dois grandes eventos da década que se
inicia ano que vem, mostram estudos, não são capazes de gerar lucro para
cobrir os investimentos públicos. Daí a necessidade de que os investimentos
sejam de qualidade. Que não atendam apenas a necessidade pontual dos
eventos. Se vamos gastar, que seja na melhoria da infraestrutura das
cidades. Infelizmente, esses recursos estarão concentrados nas 12 capitais
que poderão ser sede de jogos. Serão reduzidos os recursos para
investimentos de maior abrangência. É ruim? É, mas é do jogo. Que, no
mínimo, esse jogo seja honesto. Sem superfaturamentos. Sem afrouxamento de
fiscalização. Sem flexibilizações no endividamento. Tudo dentro da lei e da
moralidade. Como, aliás, tudo deve ser feito.




12 00:00:00/07/2010

Artigo - Urgência na educação


Vamos mal, pior do que se propaga, na educação. Os números do Ideb ­ Índice
de Desenvolvimento do Ensino Básico ­, se são melhores que os anteriores,
mostram que o país precisa melhorar o ensino. Essa não é uma tarefa de
governo ou de governos. É tarefa para a sociedade, que precisa articular e
participar de esforço nacional para uma revisão total na educação
brasileira. A fase de falta de vagas, já superamos. Vivemos a questão da
qualidade do que é oferecido aos jovens. Melhorar o ensino exige mais
esforço que simplesmente colocar alunos nas salas. Aumentar salários de
professores apenas não é solução mágica. A baixa remuneração é, sim,
problema, mas não o único. Aumentar os salários não significa que teremos
ensino melhor. Nossos professores são mal formados e muitos deles não
conseguiriam média numa avaliação. Essa é uma questão que precisa ser
enfrentada de frente por governos e governantes, mesmo enfrentando a
resistência dos que se dizem educadores, encastelados em sindicatos mais
preocupados em fazer política que em discutir problemas do setor. Que
ninguém se iluda: nosso crescimento econômico estará travado por falta de
profissionais. Sem contar que estamos deixando de formar cidadãos com
capacidade crítica e formação intelectual para discernir o certo do errado.
Se ter cidadãos conscientes não interessa, que governos e sociedade se movam
para, pelo menos, atender o mercado com mão de obra de maior qualidade.




05 00:00:00/07/2010

Artigo - Sem Militância

Quem acompanhou as convenções partidárias – as estaduais e as nacionais – certamente sentiu falta dos chamados militantes. Impressiona o fato de, a cada eleição, reduzir-se o interesse do povo por elas. Até mesmo o PT, que já teve uma militância no sentido da palavra, hoje está órfão de seus filiados, distantes da vida partidária. Hoje, a militância petista – e, se me fixo nela é porque nas outras legendas a militância nunca existiu de fato – limita-se a um grupo de servidores públicos em busca de manutenção de privilégios. Duas razões talvez expliquem este afastamento dos militantes. A primeira é que os partidos hoje são iguais como nunca foram. Não existem diferenças ideológicas ou éticas entre eles. Elas até podem existir entre pessoas, mas não entre partidos. Não se pode mais falar em partidos de esquerda, de direita, progressistas, conservadores. Basta olhar as chapas que se colocam para ver que são ambidestras. A segunda razão provavelmente decorre da primeira. Em defesa dos interesses de manutenção da hegemonia de poder, as direções nacionais dos partidos têm violentado suas bases, impondo acordos que exigem conciliar o que, lá no que deveria ser militância, é inconciliável. Impõem, goela abaixo, composições, sem respeitar a situação local. O resultado disso tudo é que, a cada dia, nosso sistema partidário vai se deteriorando, tornando-se ainda mais artificial. Caminhamos rapidamente para que ele seja simplesmente estruturas cartoriais. Bons tempos de PSD e UDN. Podia não ser o ideal, mas era pelo menos mais sincero.




28 00:00:00/06/2010

Artigo - Acordos que assustam

Os entendimentos partidários visando as disputas eleitorais em outubro são de assustar. O que fica escancarado nesses acordos é o total artificialismo do quadro partidário brasileiro, com legendas sem qualquer expressão sendo paparicadas por causa do tempo que a lei lhes assegura na propaganda eleitoral. Um partido político pressupõe a união de pessoas que comungam as mesmas ideias, os mesmos ideais. No Brasil, não. Aqui, as legendas são apenas estruturas cartoriais, usadas em negociações pouco recomendáveis, por pessoas ainda menos recomendadas. O resultado disso? Mensalões, dinheiro em bolsas, cuecas, meias etc. Mais grave ainda: a entrega de cargos de comando em empresas e em setores da administração, com resultados danosos para a população. Frustrante ver legendas que nasceram sob a inspiração da correção, do respeito à ética, por mãos de políticos e cidadãos bem intencionados – como PT e PSDB, por exemplo – transformadas, em vários estados, em moeda de negociação nas quais o que menos interessa é exatamente o interesse público. Fica difícil acreditar que, um dia, seremos um país sério. E pensar que poderíamos ser um país mais desenvolvido, justo e da paz se, por aqui, a política fosse de melhor nível. Essa é uma utopia que não se pode perder. Quem sabe, pelas mãos dos sérios, um dia a situação melhore...




21 00:00:00/06/2010

Artigo - A derrocada do DEM

O que os políticos se negam a realizar ­ uma reforma eleitoral que acabe com
os partidos sem representatividade ­, os eleitores vão cuidar de fazer. No
meio político, espera-se que, na seleção natural, seja o DEM, desta vez, o
partido que se extinguirá. Por falta de votos e lideranças sérias, o
partido, que nasceu como uma frente em defesa da moralidade e da liberdade,
sob a liderança de um homem da estatura moral de Aureliano Chaves, vai
minguando a cada eleição. Hoje, o leão desdentado ruge, tentando se impor
com suposta força eleitoral que já não possui. No plano nacional, Rodrigo
Maia diz que o DEM não abre mão da vice de Serra, como se essa presença
significasse algo. Em Minas, é o desconhecido presidente regional da
legenda, líder de si mesmo, imposto aos mineiros pelo então poderoso Jorge
Bornhausen - rejeitado e, pior, antipatizado pelos companheiros de partido -
que exige ser vice de Anastasia. Quem da legenda poderia ocupar essa vaga, o
sério e competente deputado Marcos Montes, já foi queimado pelo presidente
regional do PSDB, Nárcio Rodrigues, por razões desconhecidas. O DEM,
degenerescência do PFL, apoucou-se pelo que juntou em seus quadros. O que
foi grande um dia virou nanico. O golpe fatal foi o escândalo protagonizado
pelo corrupto José Roberto Arruda, em Brasília. A legenda, que surgiu pelas
mãos de homens sérios ­ mas, infelizmente, inoculada pela praga do adesismo
­, hoje, é motivo de chacota. Após outubro, por culpa dos que se dizem seus
líderes, inclusive em Minas, nem isso será mais.




14 00:00:00/06/2010

Artigo - O imbróglio de Pimentel



Às vezes, em política, acaba que ninguém entende absolutamente nada do que está acontecendo. É o caso da posição do ex-prefeito Fernando Pimentel, que queria ser candidato do PT ao governo de Minas, mesmo sabendo que o PT nacional e o presidente Lula já tinham acertado que o candidato ao governo seria o ex-ministro e senador Hélio Costa, numa ampla composição com o PMDB, em apoio à candidata presidencial Dilma Rousseff. E Pimentel, amigo de infância de Dilma Rousseff, convocado desde a primeira hora para participar como um dos coordenadores da campanha presidencial, quis esticar a corda, insistindo na candidatura própria. Parece que saiu meio queimado nessa história. A verdade é que Pimentel está sendo execrado pelos petistas paulistas – que, a exemplo dos tucanos paulistas, não admitem a participação de mineiros nas decisões nacionais. E o que não se entende é que ele, mesmo sabendo de tudo, deixou até que se insinuassem algumas alianças “espúrias” em Minas Gerais. Agora, Pimentel é candidato ao Senado pelo PT, apoiando a candidatura do peemedebista Hélio Costa. E sua situação na equipe de campanha da Dilma não ficou das mais confortáveis. Como é competente, o ex-prefeito, com certeza, vai dar a volta. Mas só o tempo é que vai demonstrar. Aliás, como dizia o saudoso Ozanam Coelho, uma das raposas da política, “em política, é necessário que se sargenteie.”




07 00:00:00/06/2010

Artigo - Contra o Vale-tudo

Diz a Constituição Federal que os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – são independentes e harmônicos entre si. Quando a harmonia se quebra, coloca-se em risco um dos pilares do estado e da democracia brasileiros. É precisamente isso que está ocorrendo neste processo eleitoral. Não há nenhuma norma que proíba o cidadão de violar a lei. Mas, para os que ousam descumpri-la, há as punições aplicadas pelo Judiciário que, no entanto, não tem instrumentos para fazer cumprir a lei e as suas próprias decisões. É o que estamos assistindo agora. Uns mais, outros menos, mas todos estão pouco se importando com os limites legais da legislação eleitoral. Crime para todos é perder as eleições. No resto, há um vale-tudo antidemocrático. É preciso frear essa situação. Executivo e Legislativo, pelos seus membros, precisam respeitar as normas legais. O país não pode aceitar que alguém que comande, ou postule comandar, não tenha respeito pelas normas. Democracia é, acima de tudo, o regime das leis. De respeito a elas, que, se não forem boas, devem ser reformuladas, e não desrespeitadas. De outro lado, Judiciário e Ministério Público não podem permanecer na inércia ou na comodidade de aplicar a lei em sua forma mais branda. A punição tem de inibir a reincidência. Ela não pode ser razão de deboche nem estímulo à delinquência. A continuar assim, teremos dirigentes eleitos sem legitimidade. Não é legítimo o mandato obtido com desrespeito às leis.




31 00:00:00/05/2010

Artigo - Decisão tomada

A minha relação com o ex-governador Aécio Neves sempre foi de admiração por um político jovem, que iniciou a carreira com o avô Tancredo Neves, com quem me relacionava muitíssimo bem. Ele até frequentava a minha casa. Aécio, com quem nunca tive proximidade maior, veio a ser governador convidado pelo então governador Itamar Franco. Elegeu-se por duas vezes e formou equipe de primeira, liderada pelo hoje governador Antonio Augusto Anastasia, o idealizador do choque de gestão, reconhecido em todo o Brasil e no exterior. Aécio bancou Anastasia como seu vice e, agora, como candidato à reeleição. Aécio poderia ter sido o candidato à presidência pelo PSDB se tivesse ousado mais, trabalhado mais - afinal, era o candidato que todos queriam, até mesmo os paulistas. Ele até colocou seu nome para análise, mas a cúpula do PSDB, sob comando dos “tucanos” de São Paulo, preferiu o ex-governador Serra. Agora, insinuam que ele pode ser candidato a vice-presidente. É gente de fora que fica dando pitacos. No entanto, até onde eu conheço de política, gostaria de dizer que Aécio já tem decisão tomada há muito tempo: é candidato ao Senado e dará tudo pela eleição do candidato Anastasia. Tudo que se fala na imprensa nacional não passa de especulações e de recados da “tucanada” paulista por meio de colunas. Pode até ser que o quadro mude, mas, particularmente, mesmo conhecendo pouco Aécio, não acredito que vá embarcar em canoa furada. E não tem nenhuma razão para mudar.




24 00:00:00/05/2010

Artigo - A greve



É bom que se esclareça, desde já, que esta não é uma crítica ao direito de
greve nem uma defesa de restrição ou repressão a movimentos grevistas. O que
se deseja é colocar à reflexão de todos, inclusive dos potenciais grevistas,
o que tais movimentos representam na vida do cidadão, principalmente quando
ocorrem em serviços públicos. A paralisação é uma forma de pressionar o
patrão, uma tática na luta capital/trabalho. Quando ocorre no setor público,
qual patrão que se busca atingir? A maioria dos serviços públicos tem como
beneficiária a população de baixa renda, embora a paralisação de alguns
atinja os interesses dos mais ricos ou de grandes empresas. Se é verdade que
uma greve da Polícia Federal, da Receita Federal ou das fiscalizações
federal e estadual incomoda a burguesia, como gostam de falar os
³palanqueiros², a paralisação de escolas públicas, metrôs, serviços médicos
públicos e outros prejudica e coloca em risco os mais pobres, os que não têm
outra alternativa de atendimento. Então, o patrão atingido não é o que se
deseja atingir. Até porque esses movimentos acabam atraindo mais antipatia
que simpatia pelo que incomodam. Dificilmente um governante é atingido. Ele
conta com a memória curta do povo, que se esquece rápido dos prejuízos com a
paralisação. E, quando a greve é próxima de eleições, ganha a pecha de
política. A greve é, sim, uma forma de luta que pode apresentar ótimos
resultados. Desde que bem usada.




17 00:00:00/05/2010

Artigo - Mau Caminho

Começamos mal a campanha eleitoral. Até aqui, o que se viu foram tentativas não de confrontar ideias, mas de desconstrução de adversários e de reputações. Isso, partindo de lideranças políticas, chega às chamadas bases como uma verdadeira ordem ao ataque físico. Pois não é que até isso já ocorreu numa disputa ainda nem iniciada? Desconstruir reputação e destruir imagens públicas não são apenas uma tática de campanha. Seus efeitos são muito mais profundos que imaginam – ou será que é exatamente isso que buscam? – os detratores. Ela atinge de morte a democracia, afastando da vida pública quem preza sua reputação, quem não quer expor sua vida e de sua família à sanha de irresponsáveis. A velha máxima de que “amigo meu não tem defeito, e inimigo, se não tiver, a gente arruma uns” não pode inspirar campanhas. Dirão que o eleitor não define seu voto por propostas. Tem outros critérios, sendo a “boca de canhão”, que dispara contra todos os adversários, um deles, pois demonstraria coragem para enfrentar corruptos. Pode ser. O eleitor, realmente, tem critérios estranhos para a escolha. Mas educar para a democracia é um dos mais importantes papéis das lideranças políticas. Descumprir leis, desrespeitar poderes e atacar pessoas são exemplos que não devem passar os que se propõem a liderar. É preciso reflexão – dos políticos e da imprensa – para que a campanha para as eleições de outubro não descambe para as agressões morais e físicas. O período da Copa, quando tudo para neste país, é um bom momento para esse pensar.




10 00:00:00/05/2010

Artigo - Choque de Competitividade

O Banco Central fará tudo o que for necessário para impedir que a inflação retorne, inclusive subir as taxas de juros. Isso o presidente Lula disse com todas as letras ao mundo empresarial brasileiro reunido no Monte Líbano, em São Paulo , na solenidade de posse de Cledorvino Belini, da Fiat Automóveis, como presidente da Anfavea, a poderosa entidade que reúne as empresas do setor automotivo nacional.

O presidente garantiu que o controle da inflação, a estabilidade da moeda e o crescimento econômico são questões de honra para o seu governo. Lembrou que a indústria automobilística é um exemplo desse crescimento, pois nunca vendeu tantos carros. Para assegurar o cumprimento desses objetivos, o governo não hesitará em tomar as medidas necessárias, mesmo sendo 2010 ano de eleição. Apesar de tratar de assuntos tão complexos em seu discurso, Lula estava inteiramente à vontade no encontro. Chegou a brincar com algumas pessoas da plateia, como o líder metalúrgico China, que chegou atrasado à solenidade e que, segundo o presidente, só por isso não estava fazendo parte da mesa. Com André Beer, ex-diretor da GM e que presidiu a Anfavea, ele brincou dizendo que comprou na mão dele o seu primeiro carro “chic”, um Opala. O primeiro carro que teve, lembrou, foi um Fiat 147. Cledorvino Bellini, que é o primeiro presidente de montadora a operar a presidência da Anfavea em toda a história da entidade, anunciou, em discurso, como meta de administração, um choque de competitividade no setor automobilístico.




03 00:00:00/05/2010

Artigo - Decisão em turno único

Com o afunilamento das candidaturas, cresce a chance de a eleição presidencial ser decidida no primeiro turno. A não ser que haja um espetacular crescimento de Marina Silva, tudo caminha para a tal disputa “nós contra eles”, que o presidente Lula vem propondo. E plebiscito é coisa de apenas uma votação. Essa perspectiva de decisão em um turno é a primeira consequência da retirada de Ciro Gomes do processo. Essa consequência era exatamente a de interesse de Lula. Tanto quanto eleger o sucessor, o presidente trabalha para que isso ocorra de forma a não deixar dúvida sobre sua liderança. Uma disputa em dois turnos abriria uma prega para opositores colocarem em dúvida sua hoje inquestionável liderança. Com Aécio e Pimentel, na sucessão em Belo Horizonte, foi assim. Todos falavam que o candidato que decidiram apoiar, Marcio Lacerda, venceria a disputa com facilidade. Não foi assim. A disputa foi para o segundo turno e ambos, apesar de vencerem no segundo turno, sofreram contestações. A vitória de Dilma ou Serra no primeiro turno é uma hipótese que ganhou força com a saída de Ciro. Mas é apenas uma hipótese. É importante considerar o fator Marina e as candidaturas “nanicas”, que, neste ano, serão, no mínimo, cinco. Um nanico pode levar a disputa para segundo turno e mudar o resultado. Foi assim com Hélio Costa em 1994, derrotado, no segundo turno, por Eduardo Azeredo.




26 00:00:00/04/2010

Artigo - E agora, Ciro?

Ciro Gomes continua sendo a incógnita do processo eleitoral. Agora, por outra vertente. O que se discute é o que fará o deputado que, iniciando sua vida política no Ceará, despontou como uma liderança nacional e, agora, corre o risco de desaparecer da cena política. Possibilidade lamentável para um país tão carente de bons políticos, o que Ciro quase é – não fosse sua impetuosidade e voluntariedade. Essas duas características, certamente, prejudicaram a carreira dele. Não lhe permitiram aprender a lição de Tancredo de que, na política, quem briga são as ideias, não os homens. Por não ter assimilado o ensinamento mineiro, está em situação politicamente complicada. Não terá legenda para disputar a presidência, como queria, e não pode participar do processo apoiando Dilma ou Serra. Com a candidata oficial não pode se alinhar, por ter sido duro nas críticas à composição com o PMDB, o que definiu como “um roçado de escândalos”. De Serra, é inimigo pessoal. Resta-lhe, se quiser, apoiar Marina Silva. Para muitos, Ciro deve afastar-se da política, da disputa de votos. Ele mesmo já avisou que era a disputa presidencial ou nada, pois não suporta a atividade parlamentar. Afasta-se das urnas, mas não da atividade política. Deve voltar ao Ceará para ajudar na reeleição do irmão, Cid Gomes. Pior para o Ceará, que perdeu um ótimo quadro político. Pior para o Brasil. Ciro reconhece que, se decidir fazê-lo, sua vida política levará em consideração outra lição de Tancredo: política é coisa para profissional.




19 00:00:00/04/2010

Artigo - Momento para Reflexão

O 21 de abril não pode ser apenas um feriado no calendário. Deve ser um dia de reflexão e conscientização sobre a importância de nossas lideranças. O destino juntou nesse dia duas de nossas mais destacadas lideranças, Tiradentes e Tancredo, ambos fundamentais para a construção de nossa cidadania e nossa liberdade. Na solenidade de Ouro Preto, a primeira comandada pelo governador Antonio Anastasia, várias figuras de nossa sociedade – gente do povo, políticos, empresários, intelectuais –, serão agraciadas com honrarias do governo de Minas em reconhecimento ao que fizeram pelo país. Assim como na indicação para as medalhas, o mérito e o compromisso com o país devem ser os critérios para a escolha de nossos dirigentes. Estamos num ano eleitoral; este, portanto, é um assunto que interessa a todos nós. O voto consciente é fundamental para que os ideais dos inconfidentes sejam atingidos. De nada adianta reclamar dos políticos se não temos cuidado ao escolhê-los. Escândalos surgem e ficam impunes. O que envolveu o ex-governador José Roberto Arruda é um exemplo. Ele foi eleito governador depois de renunciar a um mandato de deputado por corrupção. Se não tivesse sido filmado recebendo propina, certamente ainda estaria no governo, beneficiado por nossas leis, feitas por aqueles que elegemos e que, por serem diretamente interessados, não fazem nada para mudar. Reformas em nossa legislação para assegurar a punição dos que desrespeitam o ideário dos inconfidentes - um bom tema para o discurso da ministra Carmem Lúcia, oradora oficial em Ouro Preto.




12 00:00:00/04/2010

Artigo - Presunção em excesso

Em entrevista à revista Veja, o ex-governador Aécio Neves, ao responder pergunta sobre a composição da chapa de José Serra, disse que, se aceitasse o convite, “talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente”. O ex-governador Hélio Garcia dizia que “candidato a vice não ajuda, mas pode atrapalhar”. Em Minas, o presidente regional do DEM insiste em colocar-se como possível companheiro de chapa do professor Antonio Anastasia. Essa insistência, mais a tentativa do “Alemão”, como é conhecido o ex-senador Jorge Bornhausen, à época presidente do ex-PFL, em impor o nome do dirigente regional, desagrada as bancadas do partido, que preferem Victor Penido e Marcos Montes, nomes sem máculas. Na verdade, o presidente regional do DEM é antipatizado pelos companheiros de partido, inclusive de outros estados. É preciso lembrar ainda que o DEM, que já não era um partido forte, entrou em queda livre e perdeu a credibilidade a partir da prisão do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, o único que conseguiu se eleger em 2006. Arruda se insinuava como alternativa de vice de José Serra. Hoje, ele e o DEM caíram em desgraça. Há quem preveja que, após as eleições deste ano, o partido vá ser ainda mais esvaziado com uma verdadeira debandada de seus membros. Diante desse quadro, chega a ser “cara de pau” o presidente regional do DEM se colocar como um nome forte para compor a chapa majoritária do PSDB em Minas.




05 00:00:00/04/2010

Artigo - Time em campo


O jogo das sucessões estaduais começa a ser jogado a partir de agora, com a posse dos novos governadores e as alianças sendo articuladas. Em Minas, o governador Antonio Anastasia – que será o candidato do PSDB – conversa com os partidos, e muitos já o apoiam, como o PTB, PDT, PSC e DEM. A chapa, porém, só deve ser formada no mês de junho, quando o PSDB faz a sua convenção. O PT quer ter candidato próprio. Fernando Pimentel e Patrus Ananias conversam para chegar a um acordo, apesar de saberem que o desejo expresso do presidente Lula é que o ex-ministro Hélio Costa, do PMDB, seja o candidato apoiado pelo PT. O objetivo dele é ter um só palanque para a candidatura presidencial de Dilma Roussef. Em São Paulo , o PSDB já tem candidato, o ex-governador Geraldo Alckimim, que aparece nas pesquisas com mais de 50% das intenções de voto. Seu vice deve ser Guilherme Afif Domingos, do DEM. O senador Aluisio Mercadante será o candidato do PT, embora seus índices em pesquisas ainda não cheguem a 20%. No Rio, o governador Sérgio Cabral, do PMDB, candidata-se à reeleição com apoio do PT. Vai enfrentar o deputado Fernando Gabeira, do PV, que, por pouco, não se elegeu prefeito, e agora tem o apoio do PSDB. E Garotinho quer, novamente, voltar ao Palácio Guanabara. Dizem que Cabral ganha apertado. Enfim, mesmo com a campanha se iniciando, de fato, em junho, os nomes já estão nas ruas em busca dos votos. Mas muita água ainda vai passar debaixo da ponte até que o eleitor se decida realmente.








29 00:00:00/03/2010

Artigo - Nossas “pequenas corrupções”


Há um e-mail circulando pela Internet, que é como um tapa no nosso rosto. Ele relaciona trinta irregularidades que a maioria de nós comete cotidianamente. São contravenções, infrações de normas de convivência e violações de normas penais. “Pequenas corrupções”, como subornar o “flanelinha” por uma vaga. Insinuar gratificações para nos livrarmos de uma fila. Ou ainda aumentar a nota de despesas para ter reembolso maior. Violamos regras de convivência ao desrespeitar a lei do silêncio. Estacionar “rapidinho” na fila dupla é infringir normas de trânsito. Cometemos crime quando compramos produto contrabandeado ou pirateado. Nem todos são assim, nem todos os dias praticamos infrações, mas não há quem não se encaixe em algum ponto na relação do e-mail. O fato é que praticamos, nos beneficiamos ou somos lenientes com elas. E ainda criticamos os políticos. Rotulamos todos de ladrões e corruptos, esquecendo-nos de que os colocamos onde estão. Eles são como nós, criados na vida das pequenas corrupções e infrações. Alguns evoluem nas irregularidades. Outros ficam dentro do padrão que consideramos aceitáveis. A leniência e a exaltação do infrator, tido como esperto, levam ao afrouxamento moral da sociedade. Criam a cultura da impunidade. O inocente “jogo do bicho”, por exemplo, criado pelo Barão de Drumond, em 1892, para manter um zoológico, é a gênese da violência em várias cidades brasileiras. A conivência com pequenas infrações gera a impunidade e estimula o infrator. Pense nisso antes de dar seu voto a alguém. Ou não reclame depois.




22 00:00:00/03/2010

Artigo - A descida de Serra



O comentário é generalizado: Serra, candidato do PSDB, escolheu a pior estratégia possível a um postulante à Presidência da República. Líder de todas as pesquisas, nos últimos três anos, Serra “emburrou” em 2009 e, desde então, se recusa a declarar-se candidato. Enquanto isso, Lula colocou as mãos nos ombros de sua candidata, Dilma Rousseff, rodando o país em campanha. Escorada nos altos índices de aprovação de Lula, a ministra, antes uma desconhecida do eleitorado, vai se tornando uma candidata palatável, com chances de se tornar a primeira presidente do Brasil. Serra, ao contrário, vai perdendo pontos nas pesquisas. Mantém-se, porém, “empacado”, sem dizer-se nem desdizer-se candidato. Mudo, acabou impedindo a realização das prévias partidárias, que poderiam indicar Aécio Neves como candidato “tucano” com maiores chances, garantem os especialistas, de vencer a candidatura oficial. Esticou a corda tanto que Aécio decidiu assumir candidatura ao Senado. O governador paulista tem dito a amigos próximos que, na Semana Santa, anuncia a candidatura. A oficialização pode chegar tarde. A tendência, basta acompanhar os últimos resultados das pesquisas, é de que, quando anunciar, esteja empatado ou atrás da ministra na corrida. Aí, ficará mais difícil obter apoio para reverter a situação. Aécio garantiu que será um soldado do partido. Mas Serra tem que aglutinar outras forças. Sob o risco de o PSDB perder a oportunidade de retornar ao Planalto e também de perder o governo de São Paulo.




15 00:00:00/03/2010

Artigo - INTERESSES CONCILIÁVEIS



Causa estranheza e preocupação a decisão do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão ligado ao Ministério da Justiça, de obrigar a Fiat a realizar recall dos modelos Stilo fabricados desde 2004. A medida, baseada em laudo de uma empresa contratada pelo Departamento Nacional de Trânsito, assustou até mesmo juristas conceituados, dado a fragilidade dos argumentos. A montadora está ainda sujeita a multas, por não ter concordado com a existência do defeito, que segundo o DPDC, provoca a soltura da roda traseira, causando acidentes, além do risco de pagar indenizações a consumidores que se sintam prejudicados. Indenizações que podem ser determinadas com base em um laudo que é contestado pelo setor de engenharia da montadora. Ninguém contesta o direito do consumidor de buscar na justiça a reparação de um dano. O problema é que, no Brasil, estas reparações, ou os pedidos de, estão se transformando numa verdadeira indústria. Estimulados por advogados, e até por políticos oportunistas, consumidores pedem indenizações em valores fora da realidade que, em muitas situações, não são reconhecidos pelos tribunais superiores, embora concedidos em primeira instância. É preciso respeito ao consumidor, mas é preciso respeito também a quem produz. Os interesses de ambos não são inconciliáveis. Basta que as questões sejam tratadas pelos órgãos públicos coma seriedade que merecem. Em tempo: será que a liderança da Fiat no mercado nacional – em seu oitavo ano consecutivo – incomoda?




08 00:00:00/03/2010

Artigo - Erros na educação

A julgar pela maneira como as coisas caminham, os que reclamam da qualidade do ensino ainda terão pela frente uma grande batalha. O Ministério da Educação, parece, perdeu inteiramente o controle da educação no país. Conseguiu jogar por terra o que era uma boa ideia, mas que, como veio do governo "tucano", tinha que ser mudada. Deram errado as mudanças implementadas. Tanto que sobram vagas nas universidades federais não pelo excesso de oferta, mas pelo desinteresse dos alunos que participaram do Sistema de Seleção Unificada (SiSu) através das provas do Enem. Muita gente que passou não foi fazer matrícula. O ministério arrumou uma explicação para o fato de 45% das vagas não terem sido preenchidas: falta de responsabilidade social dos alunos que não se matricularam. Irresponsabilidade dos alunos ou do Ministério, o fato é que na Faculdade de Educação Física de Santos, em São Paulo, as aulas foram iniciadas com 12 alunos apenas. Na Universidade Federal do Mato Grosso, das 265 vagas oferecidas no curso de enfermagem, 207 não foram preenchidas. O MEC garante que vai resolver o problema fazendo a terceira chamada. Quem passar em frente às universidades corre o risco de ser matriculado. O deputado e presidenciável Ciro Gomes tem toda razão ao criticar a educação no Brasil, mesmo com todos os avanços do governo Lula.




01 00:00:00/03/2010

Artigo - Atestado de competência



O governador Aécio Neves inaugura, na próxima quinta-feira, 4 de março – data do centenário de nascimento de seu avô, Tancredo Neves, a Cidade Administrativa Tancredo Neves, nova sede do governo de Minas. A mudança do governo de Minas para a região Norte da cidade, depois de mais de um século na Praça da Liberdade, foi um ato de ousadia do governador, com forte impacto na urbanização da cidade e de várias cidades da região metropolitana. Junto com o aeroporto Internacional de Confins, a Cidade Administrativa será indutora do desenvolvimento do vetor Norte da cidade, beneficiando milhares de moradores. A Cidade Administrativa representa, ainda, uma mudança na concepção de administração pública, sendo fundamental para a modernização da gestão estadual. Evidentemente que, mesmo representando vantagens indiscutíveis, uma mudança desta ordem gera alguns problemas e descontentamentos. Várias sugestões já foram encaminhadas ao governo visando ajustes e há até mesmo uma proposta de concessão de reajuste ao funcionalismo, corrigindo eventuais perdas, como forma de incentivo. Esse, aliás, foi o comportamento de JK ao promover a transferência da capital federal para o país. O fato é que, mesmo com alguns ajustes a serem feitos e a necessidade de solução de um grande problema, o transporte de qualidade para atender a servidores e público em geral, a Cidade Administrativa Tancredo Neves já é uma realidade. Uma obra grandiosa, nascida da genialidade de Oscar Niemeyer, que coloca Minas Gerais na vanguarda da modernidade. A nova sede, que já é atração turística, pela sua beleza e funcionalidade, é ainda um atestado da competência da engenharia nacional e dos consórcios formados pelas empresas Andrade Gutierrez, Barbosa Mello, Camargo Correia, OAS, Via Engenharia, OAS, Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Santa Bárbara, que conseguiram cumprir rigorosamente o cronograma estabelecido para as obras




22 00:00:00/02/2010

Artigo - CONTRAPONTO A DILMA



Passado o Carnaval, a sucessão presidencial começa a ganhar contornos mais nítidos. Considerando o quadro atual de candidatos a grande novidade no processo poderá vir do DEM. Da legenda deverá sair a vice na chapa encabeçada pelos “tucanos”, especialmente se o candidato for mesmo José Serra. Psicóloga por formação e produtora rural por circunstâncias familiares e vocação, a senadora Kátia Abreu, eleita pelo Tocantins, dá sinais de que se colocará como alternativa em seu partido, ocupando um espaço que as velhas lideranças da legenda vão deixando vago. Presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura, que congrega 27 federações estaduais e mais de 2.300 sindicatos rurais, a senadora, nas últimas semanas, iniciou um trabalho de marketing pessoal. É ela a estrela de comerciais de rádio, com anúncio de uma campanha nacional voltada para a saúde da mulher trabalhadora rural que, por óbvio, não é o público preferencial da CNA. A campanha é, então, para construir a imagem de preocupação social da entidade e de sua presidente. Para o público interno, além das posições firmes em defesa do agronegócio, Kátia Abreu tem programas como o Observatório da Insegurança Jurídica no Campo. Daqui para a frente, é bom acompanhar de perto os passos da senadora que, dentro da rotulação política, se enquadra como de centro direita. Um perfeito contraponto a Dilma Rousseff. É bom lembrar que Serra, quando candidato a presidente, teve Rita Camata como companheira de chapa.




15 00:00:00/02/2010

Artigo - VOZ SOLITÁRIA

Até aqui, Fernando Henrique tem sido uma voz solitária defendendo o seu próprio governo das críticas que lhe fazem Lula e seus seguidores. A luta solitária do ex-presidente não é das mais fáceis. Da glória no primeiro mandato, FHC chegou ao fundo do poço em termos de popularidade, muito em função das medidas que foi obrigado a tomar para corrigir a economia brasileira.
Lula, ao contrário, vai chegando ao fim do mandato com uma popularidade jamais atingida por outro presidente, resultado de acertos na economia e de inegáveis avanços sociais. Claro que seu governo é passível de críticas, mas os acertos são maiores e reconhecidos pelos mais pobres e pelos mais abastados.
Enquanto Fernando Henrique se defende, Serra, o virtual candidato de seu partido, se mantém em silêncio. Evita criticar Lula com receio de perder votos. O ex-presidente trava uma luta solitária. Na intimidade, dizem que manifesta dor de cotovelo de ver o sucesso do torneiro mecânico que alcançou um status internacional que ele, intelectual reconhecido, sempre buscou.
O ex-presidente sabe que a batalha que iniciou será longa e espinhosa.
Daqui para frente, e até o final da campanha eleitoral, ouvirá críticas ao seu governo e uma inevitável comparação com o governo Lula. Sabe também que seus companheiros tucanos se manterão calados, evitando fazer a sua defesa, por temerem as urnas.
Nesse momento, com certeza, Fernando Henrique deve se lamentar de ter sido a primeira e mais qualificada voz oposicionista a se opor à proposta de impeachment de Lula na crise do mensalão, em 2005.




08 00:00:00/02/2010

Artigo - O peso das pesquisas


O jogo das pesquisas eleitorais já está em plena ebulição e elas não deixam de ser um indicador para os candidatos, principalmente as que são feitas para análise dos fatos e não para divulgação. As últimas pesquisas divulgadas apontam para um quase empate técnico entre as candidaturas da ministra Dilma Rousseff, do PT, e do governador de São Paulo, José Serra, que uma ala do PSDB intitula de candidato, mas que mesmo extraoficialmente, até por culpa dele, ainda não é.
No entanto, há pesquisas para consumo interno mostrando que a ministra Dilma ainda tem espaço e potencial para crescer muito. Elas servem de alerta à cúpula do PSDB, pois sinalizam que o governador Aécio Neves é o tucano que teria mais condições de enfrentar a candidata do presidente Lula, com reais chances de chegar à vitória. A grande preocupação do PSDB – de sua parte mais responsável – é resolver esta questão logo após o Carnaval, pois se for esperar até abril, como quer o governador José Serra – que tem uma reeleição garantida – pode ser muito tarde. É que quando vierem procurar o governador de Minas, talvez ele não aceite mais ser o candidato do PSDB, e com toda razão. O ex-presidente Itamar Franco, que já colocou o pé na estrada com sua candidatura ao Senado pelo PPS, não se cansa de dizer que Aécio é o grande candidato para 2010 e que o PSDB está abrindo mão da possibilidade de voltar ao Palácio do Planalto.




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