Para evitar as tragédias
Postado em 19/01/2012 às 01:10
O assunto já não é nem novidade, mas sempre é importante chamar a atenção das autoridades federais, estaduais e municipais para que se faça uma prevenção mínima, evitando-se, assim, que tragédias tenham a proporção que têm nesta época, todos os anos . Estou me referindo às chuvas que assolam principalmente os estados de Minas Gerais, Rio e Espírito Santo. Evidentemente que impedir a ocorrência de fenômenos naturais como água, fogo (este quando resultante de combustão espontânea) é uma tarefa impossível para o homem. Mas prevenir para que sejam minimizados os estragos é possível que o homem o faça. É uma tarefa que tem que ser encabeçada pelos governos, que podem contar com a ajuda da iniciativa privada, desde que ela seja convocada. Os estragos que sofreram cidades do interior e a capital mineira poderiam ser menores se providências viessem sendo adotadas ao longo de cada ano. No entanto, nada disso acontece e, então, ocorrem as tragédias que a gente vê anualmente, ceifando dezenas, às vezes centenas de vida, deixando gente sem moradia , sem nos esquecermos dos enormes prejuízos causados ao comércio e ao setor produtivo. É só lembrar que, há um ano, o país assistiu, penalizado e horrorizado, ao maior estrago já feito por enchentes das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro.
Na época, foram anunciadas inúmeras providências e agora se vê que nada do prometido foi feito. Pior, o mundo, e não apenas nós, ficou sabendo que roubaram a pouca verba destinada a reconstruir as cidades. Nesse caso, pelo menos cassaram o prefeito, embora não o tenham prendido nem o obrigado a devolver o que roubou. Agora em Minas – no mês de dezembro, nunca choveu tanto em Belo Horizonte, superando todos os índices anteriores –, a chuva martirizou muitas cidades do interior. E muita coisa poderia ter sido evitada. O governador Antonio Augusto Anastasia, com sua sensibilidade à flor da pele, revelou que não vai deixar de tomar providências durante todo o seu governo para prevenir os problemas. Muita coisa podia ser feita e não foi. As nossas rodovias, por onde a chuva passou, estão intransitáveis.
Na realidade, há muito que o governo federal não faz nada em Minas, por meio do Dnit, e, dessa forma, o estrago é muito maior. Na realidade, nossas rodovias, estaduais e federais (não só aqui, mas em todo o país), com raríssimas exceções, nada mais são do que velhos caminhos de gado e tropa de burros, asfaltados. Melhorar esses caminhos e investir em prevenção são um assunto que a presidente Dilma deveria colocar como uma das prioridades. Prevenir nunca é demais até porque, como ensinava o ex-prefeito de Belo Horizonte, Luis Verano, no final dos anos de 1970, “a pior chuva é sempre a que ainda está por vir”. Para os que não entenderam o recado, prevenção é atividade constante, rotineira e que, no mínimo por economia, deveria ser feita. Afinal, como ensinavam os antigos, prevenir é sempre melhor do que remediar. Somente quando tivermos a coragem de punir civilmente os que, por omissão, causaram prejuízos ao estado e a particulares, pegando-os pelo bolso, é que vamos passar a ter atitudes mais firmes por parte dos governantes.
Mas, até aqui, falamos apenas da ação governamental. Não podemos nos esquecer, no entanto, de que muitos problemas causados pela chuva são provocados pela imprevidência e pela irresponsabilidade do cidadão que deixa de tomar atitudes que cabem a ele primariamente, como, só para ficar no mínimo, jogar lixo nas ruas, causando entupimento de bueiros. Governo não é onipotente e muito menos onipresente até porque, se fosse, todos reclamariam. Portanto, vamos cobrar providência sem nos esquecermos de fazer nossa parte.