Paulo César de Oliveira
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Dilma, Aécio, Serra e a sucessão
Postado em 21/01/2012 às 00:58
Começa a se formar um consenso de que, a continuar com o governo como está,
a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014. Cansei de ouvir isso na
semana passada, em São Paulo. Não de petistas ou simpatizantes, mas de
vários tucanos empedernidos que não se constrangem em elogiar abertamente a
performance de Dilma. Não escondem a preocupação de que, mais uma vez, os
³tucanos² sejam derrotados na disputa presidencial. Dessa forma, para eles,
ainda não será desta vez que o mineiro Aécio Neves será candidato a
presidente da República. Todos têm a convicção de que ele não entra na
chamada ³bola dividida². Os ³tucanos² e alguns de seus próximos, com quem
conversei, também são unânimes em afirmar que o eterno candidato José Serra,
mesmo sabendo que não tem chances, vai lutar com todas as armas ­ e ele não
escolhe quais, mesmo as pouco éticas ­ para ser o candidato do PSDB,
deixando Aécio de fora novamente. Aliás, sabe-se que Serra trabalha mais,
hoje, para atazanar o desafeto mineiro do que a favor de sua própria
candidatura. O que se diz é que Serra teria afirmado, há algum tempo, que
enquanto não for presidente o seu colega Aécio não será. São inimigos
cordiais, ou pelo menos adversários cordiais e todas as vezes em que estão
juntos fazem apenas o jogo de cena político. Enquanto isso, os outros
partidos vão crescendo e o PSDB, cujas estrelas maiores, em atividade
eleitoral, são os dois, vai ficando para trás. Até porque fazer oposição
para valer, ao modelo PT, não faz parte do perfil de Aécio, que é muito mais
da conciliação. Nesse vazio oposicionista, o senador tucano Álvaro Dias,
para ocupar espaço, já lançou seu nome como candidato à presidência em 2014.
Mas muita água ainda vai rolar. Só que os mineiros, tucanos ou não, andam
preocupados, pois tudo que o querem ver é Minas, de fato, na presidência da
República e veem em Aécio o caminho mais curto.
Belo Horizonte é um oásis
Postado em 15/01/2012 às 01:09
As chuvas que atingiram Minas Gerais, nos últimos dias, e Belo Horizonte, em
especial, evidenciaram a falta de um trabalho mais rigoroso de prevenção na
maioria das cidades mineiras. Belo Horizonte é, no entanto, exceção nesse
aspecto, não apenas no estado, mas no país. Exemplo de cidade que soube
desenvolver um plano de longo prazo ­ iniciado lá nos anos de 1990 ­, que
agora começa a colher seus resultados positivos, reconhecidos por todos. A
revista Veja da semana passada ressalvou esse fato, dando destaque à
drástica redução de moradores em áreas críticas, dando crédito ao prefeito
Marcio Lacerda. Não que a cidade esteja imune aos efeitos das enchentes, que
isso nenhum lugar do mundo está, mas, na capital mineira, as consequências
das chuvas estão bem minimizadas e não se registram mortes por causa de
enchentes há pelo menos três anos. O trabalho de seguidas administrações
ganhou ritmo mais intenso com o prefeito Marcio Lacerda, que, já no seu
segundo dia de governo, literalmente, colocou o pé na lama, rodando a cidade
para conhecer de perto, e buscar soluções, para os estragos da chuva que
caíra no dia de sua posse. Ainda estamos longe de vermos solucionados os
problemas de drenagem da cidade. Talvez nunca se consiga deixar Belo
Horizonte ­ que sofreu, e ainda sofre, com a ocupação desordenada de seu
espaço ­ livre de alagamentos, interrupções de vidas, deslizamentos de
encostas e morros, atingindo residências. Certamente, isso não vai
acontecer, mas pelo menos temos a tranquilidade, e disso podemos nos
orgulhar, de que não seremos vítimas de grandes tragédias. Que isso sirva de
exemplo para o Brasil que não sabe planejar e prevenir.
Revisão de conceitos
Postado em 07/01/2012 às 17:36
Esse episódio envolvendo o ministro Fernando Bezerra, que destinou a maior
parte ­ e põe maior nisso ­ dos recursos de seu ministério, curiosamente o
da Integração Nacional, para seu estado, Pernambuco, revela, de forma cruel,
como se faz política rasteira e como não nos preocupamos com nossos
princípios constitucionais. Somos uma federação na qual todos os entes
precisam ser tratados com o máximo de igualdade, mesmo respeitando as
desigualdades. Isso significa dizer que os recursos da União precisam ser
distribuídos com equidade, em respeito ao princípio federativo. Não se pode
admitir que um estado, para ter acesso a verbas que deveriam ser de todos,
precise que seu governador tenha prestígio suficiente para indicar um
ministro e que esse ministro, tendo pretensões políticas e em gratidão a seu
padrinho, disponha-se a privilegiar sua terra.
Esse tipo de situação não pode fazer bem à democracia e ao país. Governador
brigando para indicar ministros, negociando apoio da bancada de seu estado
em troca de um cargo que possa render verbas mais tarde. Precisamos rever
esses conceitos. Política não se faz assim. Um país não se constrói assim.
Um ministério precisa ser formado por pessoas com a visão do todo, não por
gente que não consegue ver além de seu próprio umbigo. Já deveríamos ter
superado essa fase. Nós nos orgulhamos de sermos hoje a sexta economia do
mundo, mas esse avanço devemos mais à ação da iniciativa privada do que à de
governo. O 84º entre as nações, tomando como parâmetro o Índice de
Desenvolvimento Humano, reflete mais o que somos politicamente.
Descrença no Judiciário
Postado em 31/12/2011 às 20:23
Não passa por um bom momento o nosso Judiciário. Desacreditado - em parte
por sua culpa, mas muito pela qualidade de nossas leis - aquele que é a
última esperança dos que sofrem injustiças se mostra despreparado para
exercer a missão que cabe a ele, e a nenhum outro Poder. Não se pode nem
mesmo apontar onde estão os problemas que afetam nosso Judiciário. Da
primeira instância, lá naquela pequena comarca, até o Supremo Tribunal
Federal, há erros a serem apontados, críticas a serem feitas. A carreira de
magistrado hoje, infelizmente, perdeu grande parte de sua respeitabilidade.
Deixou de ser ocupada por vocacionados para se transformar em meta de quem
procura um bom emprego. Chega a ela aquele que tem mais tempo para se
preparar para um concurso. Na maioria das vezes o aprovado não é aquele mais
preparado para a função, superado por quem, de melhor condição financeira,
teve mais tempo para se dedicar aos livros e a treinar para as provas.
Muitos de nossos tribunais de segunda instância têm frequentado, com certa
habitualidade, os noticiários policiais. Nossos ministros de tribunais
superiores têm falado pouco nos autos e muito na mídia, num bate-boca que
expõe muito mais a vaidade do que o saber jurídico. Enquanto isso a
impunidade e a insegurança jurídica grassam pelo país, levando nosso povo a
descrer, cada vez mais, em nossas autoridades. Isso é muito ruim para a
democracia e a estabilidade do país. Reflitam sobre essa situação, senhores
magistrados.
Descrença no Judiciário
Postado em 24/12/2011 às 14:54
Não passa por um bom momento o nosso Judiciário. Desacreditado - em parte
por sua culpa, mas muito pela qualidade de nossas leis - aquele que é a
última esperança dos que sofrem injustiças se mostra despreparado para
exercer a missão que cabe a ele, e a nenhum outro Poder. Não se pode nem
mesmo apontar onde estão os problemas que afetam nosso Judiciário. Da
primeira instância, lá naquela pequena comarca, até o Supremo Tribunal
Federal, há erros a serem apontados, críticas a serem feitas. A carreira de
magistrado hoje, infelizmente, perdeu grande parte de sua respeitabilidade.
Deixou de ser ocupada por vocacionados para se transformar em meta de quem
procura um bom emprego. Chega a ela aquele que tem mais tempo para se
preparar para um concurso. Na maioria das vezes o aprovado não é aquele mais
preparado para a função, superado por quem, de melhor condição financeira,
teve mais tempo para se dedicar aos livros e a treinar para as provas.
Muitos de nossos tribunais de segunda instância têm frequentado, com certa
habitualidade, os noticiários policiais. Nossos ministros de tribunais
superiores têm falado pouco nos autos e muito na mídia, num bate-boca que
expõe muito mais a vaidade do que o saber jurídico. Enquanto isso a
impunidade e a insegurança jurídica grassam pelo país, levando nosso povo a
descrer, cada vez mais, em nossas autoridades. Isso é muito ruim para a
democracia e a estabilidade do país. Reflitam sobre essa situação, senhores
magistrados.
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