Paulo César de Oliveira
Paulo César de Oliveira
Autorizar
Cadastre-se acima, clique em autorizar, e receba as notícias do blog por e-mail.
É PRECISO MÃO DE OBRA
Postado em 30/08/2010 às 13:03
Levantamento da Fundação João Pinheiro mostra que, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a situação está próxima do que é considerado pleno emprego. Em outras regiões brasileiras, o quadro é o mesmo. Há grande oferta de emprego e faltam trabalhadores. Isso nos coloca diante de um problema diferente do que sempre vivemos: pode haver apagão de mão de obra para atender às necessidades das empresas, o que põe o Brasil frente a mais um empecilho ao seu desenvolvimento. A falta de pessoal vem se somar à carência na infraestrutura em todos os setores da economia. Estamos no limite de nosso desenvolvimento. Dificilmente, haverá condições para o país elevar a taxa de crescimento do PIB acima dos níveis atuais. Quando se tem demanda maior que a oferta ­ o que já ocorre no setor imobiliário ­, a tendência é de aumento dos preços. Preço maior significa inflação em alta. Para o Banco Central, preço em alta significa aumento de juros. Para o comércio, falta de oferta interna se resolve com importação. Essa está aumentando, preocupando o setor produtivo. É a roda complicada da economia girando. É um assunto para economistas. Para nós, fica o gosto de assistirmos à virada. Não demora e passaremos de exportadores para importadores de mão de obra. Quando isso acontecer, é certo que saberemos receber bem os que vierem em busca da oportunidade que um dia faltou por aqui. Tudo isso é bom, mas fica o recado do futuro: é hora de correr para qualificar gente. Caso contrário, a economia brasileira vai travar.

Vem aí um novo feriadão
Postado em 23/08/2010 às 11:18
O “7 de Setembro” cai na terça-feira e, como ninguém neste país é de ferro, certamente, a segunda-feira será emendada. Contando-se que, em tais situações, a sexta-feira anterior é dia de preparar viagens, teremos, pelo menos, cinco dias de aeroportos cheios e estradas superlotadas. Para quem vai de avião, momento de desconforto e irritação. Para quem pega a estrada, angústia e riscos. As autoridades, como de praxe, anunciarão providências que serão tomadas para evitar, nos aeroportos, o caos, nas estradas, as tragédias. Tudo como manda a incompetência. Na quarta-feira seguinte ao feriadão, também como manda o roteiro, serão divulgadas as estatísticas. Virão explicações, também de sempre, de que, nos aeroportos, o caos foi por causa da classe média ascendente, que passou a usar avião. Nas estradas, a culpa será dos motoristas, imprudentes como sempre. Esquecem-se, porém, da própria imprudência ao manter nas mesmas condições estradas construídas na década de 1950 para poucos e vagarosos veículos de passeio e caminhões de no máximo 12 toneladas. Hoje, os carros são velozes e potentes, e os caminhões chegam a transportar 70 toneladas, verdadeiras bombas móveis. Também não se lembram de que os aeroportos, como o de Confins, são os mesmos de 30 anos atrás. Ainda há tempo. É possível fazer algo para minorar os problemas. Este ano tem outros dois feriadões, antes dos de fim de ano. Alguém tem de agir por soluções definitivas. Caso contrário, vamos continuar como sempre: as autoridades inventando desculpas e o povo irritado a contar suas mortes.

Para "levar" os parlamentares
Postado em 16/08/2010 às 13:25
A frase é forte e pode criar dificuldades políticas para seu autor, o candidato José Serra, que, ao afirmar a empresários paulistas que o Congresso ³se leva com emendas², respondendo a pergunta sobre dificuldades de governabilidade, no caso de vencer as eleições, indicou, com precisão cirúrgica, um dos maiores males de nossa política. Realmente, ninguém, com razoável sensibilidade política e um mínimo de ³cabeça dura², enfrenta problemas de governabilidade com Congresso, Assembleia e Câmara Municipal se liberar, como, aliás, tem de fazer, as emendas individuais no orçamento.
Nesse campo, tucano é igual a petista, que é igual a socialista, que é igual a trabalhista, a comunista.... Emenda parlamentar, especialmente a individual, é conversa que todos entendem. Na prática, é como um prêmio por bom comportamento. Quem foi cordato e apoiou o governo recebe logo o recurso que indicou. Quem foi contestador e vigilante também recebe, para não se falar em discriminação, mas quando o governo bem entender. No caso do Congresso, esse prêmio é de R$ 12 milhões/ano por parlamentar. Na Assembleia mineira, é de R$ 1,5 milhão/ano, menos que o que os parlamentares queriam, mas que ajuda bem no momento da campanha. Na defesa da prática das emendas, os deputados dizem que elas são a única forma de se destinar verba a uma pequena obra, uma entidade desconhecida, que nunca é lembrada nos orçamentos. A justificativa pode até ser procedente, mas que ajuda o Executivo a ³levar o Congresso², isso ajuda.
Pobreza real
Postado em 09/08/2010 às 12:37
Dizem que números de pesquisas e resultados estatísticos cada um lê e interpreta de acordo com seu interesse. O Brasil, por exemplo, está comemorando números de movimento ascendente de classes sociais. Prevê-se que, mantido o ritmo da economia e da melhoria da distribuição de renda, em 2016, teremos praticamente erradicado a pobreza extrema, ou miséria extrema, atingindo o índice de 4% da população nessa situação, bem próximo dos países desenvolvidos. Para o Ipea, em situação de pobreza extrema, estão famílias com renda per capita média de um quarto do salário mínimo (R$127,50). Em situação de pobreza absoluta, estão famílias com renda per capita média de meio mínimo (R$ 255). Outro órgão, com a mesma credibilidade do Ipea, coloca a certeza de que os parâmetros tomados para se definir pobreza extrema e pobreza absoluta são irreais. Para o Dieese, tomando como base os preços de julho, o salário-mínimo, para atender às necessidades de uma família, seguindo-se o preceito constitucional, teria de ser R$ 2.011,38. O que está em vigor, e que será reajustado em janeiro de 2011, é quase quatro vezes inferior ao que seria o mínimo necessário. Tem-se, então, que o trabalhador com salário-mínimo está em estado de pobreza extrema. Recebe metade do que deveria para cobrir as despesas da família. Isso olhando-se apenas pela ótica do consumo. Se contar as condições de habitação, saúde, saneamento, segurança, etc., vai aparecer quem conteste esse raciocínio. A eles, sugiro que vivam ou acompanhem a vida dos que vivem com o mínimo, um mês pelo menos.
Pretendentes em BH
Postado em 02/08/2010 às 08:11
Ainda faltam 60 dias para as eleições gerais, quando o povo vai escolher presidente da República, governadores e parlamentares federais e estaduais, e a campanha municipal ­ já que o mandato do prefeito Marcio Lacerda vai até 2012 ­ já ganha corpo em Belo Horizonte. Há pelo menos três candidaturas pré-colocadas, e os pretendentes, uns mais abertamente, outros mais discretos, procuram marcar espaço. Na disputa, já está Marcio Lacerda, que faz um trabalho de "formiguinha", reservando para si os contatos diretos com as lideranças comunitárias. Lacerda ainda não fala em reeleição, mas já tem um grupo que trabalha para que ele aceite a candidatura. Outro pretendente é o vice-prefeito petista Roberto Carvalho ­ que vem batendo de frente com o prefeito e, com isso, as relações dos dois já está agastada. Depois de agir internamente, trabalhando para selar a paz entre os grupos de Pimentel e Patrus, Carvalho não perde um ato de campanha na capital, reforçando sua imagem. O mais ousado tem sido Leonardo Quintão, do PMDB, que foi ao segundo turno nas últimas eleições na cidade, realizando uma proeza, pois seu partido não tem expressão em Belo Horizonte. Quintão está usando serviço de telemarketing, abordando os eleitores com perguntas típicas de uma pauta de candidato a prefeito. Ao final, pede votos para ele, a chapa majoritária e para Zito, candidato do PCdoB ao Senado. Não fala em Pimentel que, definitivamente, não é seu candidato.
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 ... | 9 | 10 |