Dilma, Aécio, Serra e a sucessão
Postado em 21/01/2012 às 00:58
Começa a se formar um consenso de que, a continuar com o governo como está,
a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014. Cansei de ouvir isso na
semana passada, em São Paulo. Não de petistas ou simpatizantes, mas de
vários tucanos empedernidos que não se constrangem em elogiar abertamente a
performance de Dilma. Não escondem a preocupação de que, mais uma vez, os
³tucanos² sejam derrotados na disputa presidencial. Dessa forma, para eles,
ainda não será desta vez que o mineiro Aécio Neves será candidato a
presidente da República. Todos têm a convicção de que ele não entra na
chamada ³bola dividida². Os ³tucanos² e alguns de seus próximos, com quem
conversei, também são unânimes em afirmar que o eterno candidato José Serra,
mesmo sabendo que não tem chances, vai lutar com todas as armas e ele não
escolhe quais, mesmo as pouco éticas para ser o candidato do PSDB,
deixando Aécio de fora novamente. Aliás, sabe-se que Serra trabalha mais,
hoje, para atazanar o desafeto mineiro do que a favor de sua própria
candidatura. O que se diz é que Serra teria afirmado, há algum tempo, que
enquanto não for presidente o seu colega Aécio não será. São inimigos
cordiais, ou pelo menos adversários cordiais e todas as vezes em que estão
juntos fazem apenas o jogo de cena político. Enquanto isso, os outros
partidos vão crescendo e o PSDB, cujas estrelas maiores, em atividade
eleitoral, são os dois, vai ficando para trás. Até porque fazer oposição
para valer, ao modelo PT, não faz parte do perfil de Aécio, que é muito mais
da conciliação. Nesse vazio oposicionista, o senador tucano Álvaro Dias,
para ocupar espaço, já lançou seu nome como candidato à presidência em 2014.
Mas muita água ainda vai rolar. Só que os mineiros, tucanos ou não, andam
preocupados, pois tudo que o querem ver é Minas, de fato, na presidência da
República e veem em Aécio o caminho mais curto.