Para "levar" os parlamentares
Postado em 16/08/2010 às 13:25
A frase é forte e pode criar dificuldades políticas para seu autor, o candidato José Serra, que, ao afirmar a empresários paulistas que o Congresso ³se leva com emendas², respondendo a pergunta sobre dificuldades de governabilidade, no caso de vencer as eleições, indicou, com precisão cirúrgica, um dos maiores males de nossa política. Realmente, ninguém, com razoável sensibilidade política e um mínimo de ³cabeça dura², enfrenta problemas de governabilidade com Congresso, Assembleia e Câmara Municipal se liberar, como, aliás, tem de fazer, as emendas individuais no orçamento.
Nesse campo, tucano é igual a petista, que é igual a socialista, que é igual a trabalhista, a comunista.... Emenda parlamentar, especialmente a individual, é conversa que todos entendem. Na prática, é como um prêmio por bom comportamento. Quem foi cordato e apoiou o governo recebe logo o recurso que indicou. Quem foi contestador e vigilante também recebe, para não se falar em discriminação, mas quando o governo bem entender. No caso do Congresso, esse prêmio é de R$ 12 milhões/ano por parlamentar. Na Assembleia mineira, é de R$ 1,5 milhão/ano, menos que o que os parlamentares queriam, mas que ajuda bem no momento da campanha. Na defesa da prática das emendas, os deputados dizem que elas são a única forma de se destinar verba a uma pequena obra, uma entidade desconhecida, que nunca é lembrada nos orçamentos. A justificativa pode até ser procedente, mas que ajuda o Executivo a ³levar o Congresso², isso ajuda.