
O pedido de exoneração de Elias não foi propriamente um ato de vontade pessoal. O que se comenta no governo é que a exoneração foi um pedido da presidente Dilma que preferiu não assumir o ônus político de demiti-lo, mas, no entendo, não deixou de encaminhar o recado para que ele agisse, como se por decisão pessoal. Com isso a presidente procura conter um pouco da reação de alguns peemedebistas que defendiam a continuidade de Elias Fernandes no cargo, apesar das denúncias ou, pelo menos, a nomeação de outra pessoa ligada ao partido para o cargo. O líder da bancada de deputados federais do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que é o candidato oficial da base governista a comandar a Câmara a partir de 2013, deu, na quarta-feira, o tom de insatisfação do grupo com a possibilidade de demissão de seu apadrinhado, acusado de envolvimento num desvio de R$ 192 milhões. “O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, questionou Alves (foto), ao comentar a ameaça de exoneração. Em sua fala, pouco amistosa, o deputado também cobrou reciprocidade, defendendo que Dilma agisse em relação a seu afilhado da mesma forma que agiu com ministros que, mesmo sob suspeita, foram mantidos nos cargos. O pedido de demissão desliga o fogo da fervura política. É o que se espera.